MANANCIAL

MANANCIAL
"Jardim fechado és tu, minha irmã, esposa minha, manancial fechado, fonte selada". (Cânticos 4:12)

sábado, 15 de julho de 2017

QUEM É “A PEDRA”? PEDRO OU CRISTO?

Mateus 16:13-19.   
13. E, chegando Jesus às partes de Cesareia de Filipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o FILHO DO HOMEM? 14. E eles disseram: Uns, João o Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias, ou um dos profetas. 15. Disse-lhes ele: E VÓS, QUEM DIZEIS QUE EU SOU? 16. E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. 17. E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque TO NÃO REVELOU A CARNE E O SANGUE, MAS MEU PAI, QUE ESTÁ NOS CÉUS. 18. Pois também Eu te digo que tu és Pedro, E SOBRE ESTA PEDRA EDIFICAREI A MINHA IGREJA, E AS PORTAS DO INFERNO NÃO PREVALECERÃO CONTRA ELA; 19. E Eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.

O HOMEM NÃO É UMA PEDRA, O HOMEM É PÓ.

Gênesis 3:17,19.
17. E a Adão disse:... 19. No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; PORQUANTO ÉS PÓ e em pó te tornarás.

EDIFICAR SOBRE O PÓ?

Mateus 7:26,27. 
26. E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao HOMEM INSENSATO, QUE EDIFICOU A SUA CASA SOBRE A AREIA; 27. E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda.

EDIFICAR SOBRE A PEDRA.

Mateus 7:24,25.
24. Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao HOMEM PRUDENTE, QUE EDIFICOU A SUA CASA SOBRE A ROCHA; 25. E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha.

PEDRO DÁ TESTEMUNHO “DA PEDRA”.

Atos 4:10-12
10. Seja conhecido de vós todos, e de todo o povo de Israel, que em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, aquele a quem vós crucificastes e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, em nome desse é que este está são diante de vós. 11. ELE É A PEDRA QUE FOI REJEITADA POR VÓS, OS EDIFICADORES, A QUAL FOI POSTA POR CABEÇA DE ESQUINA. 12. E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu NENHUM OUTRO NOME HÁ, DADO ENTRE OS HOMENS, pelo qual devamos ser salvos.

1 Pedro 2:3-8 
3. Se é que já provastes que o Senhor é benigno; 4. E, chegando-vos PARA ELE, PEDRA VIVA, REPROVADA, NA VERDADE, PELOS HOMENS, MAS PARA COM DEUS ELEITA E PRECIOSA, 5. Vós também, como pedras vivas, SOIS EDIFICADOS CASA ESPIRITUAL E SACERDÓCIO SANTO, PARA OFERECER SACRIFÍCIOS ESPIRITUAIS AGRADÁVEIS A DEUS POR JESUS CRISTO. 6. Por isso também na Escritura se contém: Eis que ponho em Sião A PEDRA PRINCIPAL DA ESQUINA, ELEITA E PRECIOSA; E QUEM NELA CRER NÃO SERÁ CONFUNDIDO. 7. E assim para vós, os que credes, é preciosa, mas, para os rebeldes, a pedra que os edificadores reprovaram, essa foi a principal da esquina, 8. E UMA PEDRA DE TROPEÇO E ROCHA DE ESCÂNDALO, PARA AQUELES QUE TROPEÇAM NA PALAVRA, sendo desobedientes; para o que também foram destinados.

AS ESCRITURAS TESTIFICAM DE QUEM? DE PEDRO OU DE JESUS?

Isaías 28:16. Portanto assim diz o Senhor DEUS: Eis que EU ASSENTEI EM SIÃO UMA PEDRA, uma PEDRA JÁ PROVADA, PEDRA PRECIOSA DE ESQUINA, QUE ESTÁ BEM FIRME E FUNDADA; aquele que crer não se apresse.

Isaías 8:13-15 
13. Ao Senhor dos Exércitos, A ELE SANTIFICAI; E SEJA ELE O VOSSO TEMOR E SEJA ELE O VOSSO ASSOMBRO. 14. ENTÃO ELE VOS SERÁ POR SANTUÁRIO; mas servirá DE PEDRA DE TROPEÇO, E ROCHA DE ESCÂNDALO, às duas casas de Israel; por armadilha e laço aos moradores de Jerusalém. 15. E muitos entre eles tropeçarão, e cairão, e serão quebrantados, e enlaçados, e presos.

Salmos 91:2,11,12
2. Direi do Senhor: ELE É O MEU DEUS, O MEU REFÚGIO, A MINHA FORTALEZA, E NELE CONFIAREI. 11. Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos. 12. Eles te sustentarão nas suas mãos, para que NÃO TROPECES COM O TEU PÉ EM PEDRA.

Salmos 144:1-4  
1. Bendito seja o SENHOR, minha ROCHA, que ensina as minhas mãos para a peleja e os meus dedos para a guerra; 2. Benignidade minha e FORTALEZA MINHA; ALTO RETIRO MEU E MEU LIBERTADOR ÉS TU; ESCUDO MEU, em quem eu confio, e que me sujeita o meu povo. 3. Senhor, que é o homem, para que o conheças, e o filho do homem, para que o estimes? 4. O homem é semelhante à vaidade; os seus dias são como a sombra que passa.

A CONFISSÃO DE PEDRO.

Mateus 16:16. E Simão Pedro, respondendo, disse: TU ÉS O CRISTO, O FILHO DO DEUS VIVO.

O JOGO DE PALAVRAS DE CRISTO.

Mateus 16:18 ... Pois também Eu te digo que tu és Pedro...
“Você disse quem eu sou, e eu digo quem você é”...

Lucas 12:8. E digo-vos que TODO AQUELE QUE ME CONFESSAR DIANTE DOS HOMENS TAMBÉM O FILHO DO HOMEM O CONFESSARÁ DIANTE DOS ANJOS DE DEUS.

Mateus 10:32. Portanto, QUALQUER QUE ME CONFESSAR DIANTE DOS HOMENS, EU O CONFESSAREI DIANTE DE MEU PAI, que está nos céus. 33. Mas qualquer que me negar diante dos homens, eu o negarei também diante de meu Pai, que está nos céus.

A CONFISSÃO É DADA POR MEIO DA REVELAÇÃO DIVINA.

Mateus 16:17... Não foi a carne e sangue que to revelou, mas MEU PAI, QUE ESTÁ NOS CÉUS.

A CONFISSÃO NO CORAÇÃO É UMA ROCHA INABALÁVEL.

Mateus 16:18,19  ... E SOBRE ESTA PEDRA EDIFICAREI A MINHA IGREJA, E AS PORTAS DO INFERNO NÃO PREVALECERÃO CONTRA ELA; 19. DAR-TE-EI AS CHAVES DO REINO DOS CÉUS; o que ligares, pois, na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus.

Hebreus 11:1. Ora, a fé é O FIRME FUNDAMENTO das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem.

1 Coríntios 3:11-13. Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, O QUAL É JESUS CRISTO. 12. E, se alguém SOBRE ESTE FUNDAMENTO formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, 13. A obra de cada um se manifestará; na verdade o dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um.


JESUS CRISTO É "A PEDRA", O FUNDAMENTO DOS APÓSTOLOS E DOS PROFETAS, O FUNDAMENTO DA IGREJA; A CONFISSÃO DE PEDRO REVELADA POR DEUS É TAMBÉM "A PEDRA", ISTO É, O FUNDAMENTO DA FÉ QUE CADA CRENTE TEM DENTRO DE SI, ELA É A FIRMEZA DA ESPERANÇA EM JESUS REVELADA PELO ESPÍRITO SANTO AO SEU CORAÇÃO E QUE O FAZ CONFESSÁ-LO DIANTE DAS ADVERSIDADES; E AQUELE QUE A TEM, AS PORTAS DO INFERNO NÃO PREVALECERÃO CONTA ELE, PORQUE O FUNDAMENTO DE DEUS NELE PERMANECE.


2 Timóteo 2:19. Todavia o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são seus, e qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniquidade. 

O LIGAR E O DESLIGAR.

João 15:7. Se vós ESTIVERDES EM MIM, e as MINHAS PALAVRAS ESTIVEREM EM VÓS, pedireis tudo o que quiserdes, E VOS SERÁ FEITO.


TU ÉS O CRISTO, O FILHO DO DEUS VIVO.

Jeremias 31:33. Mas esta é a aliança que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: POREI A MINHA LEI NO SEU INTERIOR, E A ESCREVEREI NO SEU CORAÇÃO; E EU SEREI O SEU DEUS E ELES SERÃO O MEU POVO. 34. E não ensinará mais cada um a seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: Conhecei ao Senhor; PORQUE TODOS ME CONHECERÃO, desde o menor até ao maior deles, diz o Senhor; porque lhes perdoarei a sua maldade, e nunca mais me lembrarei dos seus pecados.


... E SOBRE ESTA PEDRA EDIFICAREI A MINHA IGREJA, E AS PORTAS DO INFERNO NÃO PREVALECERÃO CONTRA ELA (Mateus 16:18).

L. M. S.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

O CRISTÃO PODE COMER SANGUE?

Todas as coisas me são lícitas, MAS NEM TODAS AS COISAS CONVÊM. Todas as coisas me são lícitas; mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas (1 Coríntios 6:12).

Significado de Convêm - Flexão do verbo convir na terceira pessoa do plural - Ação de convir: concordar, aceitar, admitir, combinar, condizer, conveniência, adequação, utilidade ou proveito. 

Tem gente que vive uma meninice espiritual constante e nunca cresce na graça porque fica o tempo todo como que pedindo a alguém autorização ou permissão para pecar ou para não pecar. A pergunta correta não é se o cristão “pode ou não pode” comer sangue, carne de animal sufocado ou se servir de coisas consagradas aos ídolos, mas se o cristão “deve ou não deve comer” ou se convém ou não convém . Bem! Se assim o é então, as perguntas a serem feitas são: Em que o comer sangue será proveitoso ou útil à fé em Cristo? Comer carne de animal sufocado é adequado ou admissível ao testemunho de fé em Jesus? A fé em Jesus Cristo concorda ou combina com o que foi sacrificado aos ídolos? E ainda: Por que a Igreja de Jerusalém deu estas ordenanças?

Lemos em Atos 15 o que os apóstolos, anciãos e os demais irmãos escreveram na carta enviada aos cristãos gentios: “NA VERDADE PARECEU BEM AO ESPÍRITO SANTO E A NÓS NÃO VOS IMPOR ENCARGO ALGUM SENÃO ESTAS COISAS NECESSÁRIAS: QUE VOS ABSTENHAIS DO SANGUE, DO QUE É SUFOCADO, DO SACRIFICADO AOS ÍDOLOS E DA FORNICAÇÃO” (Atos 15:28,29).

O mandamento de não comer sangue não está apenas na Lei, mas é anterior a ela; Deus disse a Noé: “Tudo quanto se move, que é vivente, será para vosso mantimento; tudo vos tenho dado como a erva verde. A carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis. Certamente requererei o vosso sangue, o sangue das vossas vidas; da mão de todo o animal o requererei; como também da mão do homem, e da mão do irmão de cada um requererei a vida do homem. Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado; porque Deus fez o homem conforme a sua imagem” (Gênesis 9:3-6).

A pergunta é: "Se eu tenho fé em Cristo, e se Nele, conforme a sua imagem fui gerado um filho de Deus; por que comerei sangue, carne sufocada, ou participarei do que é consagrado aos ídolos?! Que a minha fé não seja causa de tropeço para os outros, mas de salvação aos perdidos e de louvor a Deus. Não destruas por causa da comida a obra de Deus. Na verdade tudo é limpo, mas é um mal para o homem dar motivo de tropeço pelo comer (Romanos 14:20).


Lembremo-nos que, se estamos em Cristo, somos uma nova criatura e nessa condição ninguém mais vive ou morre para si mesmo, mas para Deus, pois já morremos e a nossa vida está escondida com Cristo no Pai, porque o velho “eu” foi crucificado com Cristo e sepultado pelo batismo, para que o corpo do pecado seja desfeito e não o sirvamos doravante, e assim sendo, o pecado não terá domínio sobre nós (2 Cor. 5:17; Rom. 14:7; Col. 3:3; Rom. 6:1-14).

O apóstolo Paulo não invalida a decisão do Concílio de Jerusalém, mas nos disciplina no que diz respeito a nossa consciência, a qual deve sempre estar pura e em paz. Ele disse:

Ninguém busque o proveito próprio; antes cada um, o que é de outrem. Comei de tudo quanto se vende no açougue, sem perguntar nada, por causa da consciência. Porque a terra é do Senhor e toda a sua plenitude. E, se algum dos infiéis vos convidar, e quiserdes ir, comei de tudo o que se puser diante de vós, sem nada perguntar, por causa da consciência. Mas, se alguém vos disser: Isto foi sacrificado aos ídolos, não comais, por causa daquele que vos advertiu e por causa da consciência; porque a terra é do Senhor, e toda a sua plenitude. Digo, porém, a consciência, não a tua, mas a do outro. Pois por que há de a minha liberdade ser julgada pela consciência de outrem? E, se eu com graça participo; por que sou blasfemado naquilo por que dou graças? Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus. Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus. Como também eu em tudo agrado a todos, não buscando o meu próprio proveito, mas o de muitos, para que assim se possam salvar (1 Coríntios 10:24-33).

L. M. S.      

quarta-feira, 7 de junho de 2017

BABEL A TORRE DA CONFUSÃO.


Estive pensando com meus botões: Por que será que existem tantas denominações cristãs com tantas interpretações e doutrinas divergentes entre si? E a resposta veio como um raio: É por estamos em Babilônia, na grande cidade; a grande meretriz e mãe das prostituições e abominações da Terra.

Apocalipse 17:1-7
E veio um dos sete anjos que tinham as sete taças, e falou comigo, dizendo-me: Vem, mostrar-te-ei A CONDENAÇÃO DA GRANDE PROSTITUTA QUE ESTÁ ASSENTADA SOBRE MUITAS ÁGUAS; com a qual FORNICARAM OS REIS DA TERRA; e os que HABITAM NA TERRA SE EMBEBEDARAM COM O VINHO DA SUA FORNICAÇÃO. E levou-me em espírito A UM DESERTO, E VI UMA MULHER ASSENTADA SOBRE UMA BESTA DE COR DE ESCARLATA, QUE ESTAVA CHEIA DE NOMES DE BLASFÊMIA, e tinha sete cabeças e dez chifres. E a mulher estava VESTIDA DE PÚRPURA E DE ESCARLATA, E ADORNADA COM OURO, E PEDRAS PRECIOSAS E PÉROLAS; e tinha na sua mão UM CÁLICE DE OURO CHEIO DAS ABOMINAÇÕES E DA IMUNDÍCIA DA SUA FORNICAÇÃO; e NA SUA TESTA ESTAVA ESCRITO O NOME: MISTÉRIO, A GRANDE BABILÔNIA, A MÃE DAS PROSTITUIÇÕES E ABOMINAÇÕES DA TERRA. E vi que a mulher estava EMBRIAGADA DO SANGUE DOS SANTOS, e do SANGUE DAS TESTEMUNHAS DE JESUS. E, vendo-a, eu maravilhei-me com grande admiração. E o anjo me disse: POR QUE TE ADMIRAS? Eu te direi o mistério da mulher, e da BESTA QUE A TRAZ, a qual tem sete cabeças e dez chifres.

Para se entender algo sobre a GRANDE BABILÔNIA precisamos recorrer aos Livros do Velho Testamento e saber como ela surgiu e por que.

Em Gênesis capítulo nove, Deus faz um pacto com Noé de não mais destruir a Terra com dilúvio e deixa seu sinal no céu confirmando a aliança. O Senhor também ordena que seus filhos sejam frutíferos, se multipliquem e povoem toda a Terra espalhando-se por ela. Os anos se passam e a bênção da fertilidade concedida a Sem, Cam e Jafet se cumpre e, ainda em vida, o patriarca Noé vê os filhos dos seus filhos, e os netos dos seus netos (Gênesis 9:1-19 e cap. 10).

O capítulo onze de Gênesis conta que todos os homens falavam a mesma língua, então a comunicação entre eles era fácil, pois se entendiam perfeitamente. A Escritura diz que esse grande povo partiu do oriente com o propósito de colonizar a face do mundo, mas ao chegar numa planície de um vale, na terra de Sinear*, na Mesopotâmia*, eles pararam de caminhar, e deixaram das peregrinações para fixar residência, negligenciando e desobedecendo a ordem de “ENCHER A TERRA” (Gênesis 9:1). Penso que eles já estavam satisfeitos consigo mesmos, isto é, julgavam já haver feito a vontade de Deus.

Sinear – significa: “dois rios”; os rios Tigre e Eufrates.
Mesopotâmia – significa: “entre rios”; meso: “no meio de”; potamos: “rios”.

Obs.: Jesus ao comissionar seus discípulos, disse que a ninguém saldassem pelo caminho (Lucas 10:4) porque assim não desviariam a atenção do propósito para o qual foram enviados. E em 1 Reis 13 está a história de um profeta de Judá que foi enviado a Betel, a profetizar o juízo de Deus contra a idolatria do rei Jeroboão; nesse episódio o homem de Deus foi advertido pelo Senhor a não comer pão e nem beber água naquele lugar e, após cumprir sua missão, que não voltasse pelo mesmo caminho, mas o jovem profeta parou para descansar à sombra de um carvalho e assim foi alcançado por um “profeta velho” de Israel, o qual o encontrou e o enganou fazendo com que o jovem fosse com ele a sua casa e comesse e bebesse. A desobediência do jovem profeta de Deus selou a sua sentença de morte, um leão o encontrou e matou.   

Os pós-diluvianos cansados da vida nômade designada por Deus quiseram fixar residência e a “planície entre rios” lhes pareceu um local perfeito para a construção de uma cidade, mas o trabalho exigiria o empenho de todos, portanto nada mais certo que todos ficassem juntos e não mais fossem dispersos e espalhados pelo mundo. Bem, como naquela planície havia barro em abundância e fazer tijolos é muito mais fácil do que extrair pedras das rochas, eles substituíram as pedras por tijolos, porém bem cozidos, e por argamassa, ao invés de cal, usaram o betume.

Obs.: Aqui temos um símbolo do que se fez e ainda se faz na Babilônia: substituições. Sim porque, o apóstolo Pedro diz que nós cristãos como “pedras vivas” somos edificados “casa espiritual” e sacerdócio santo para oferecermos sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo (1 Pedro 2:5). Viram?! Somos pedras vivas e não tijolos bem queimados, somos da Rocha (Jesus Cristo) e não do barro (Adão – homens), somos como pedrinhas assentadas em Cristo Jesus (pedras assentadas na “Rocha” – nos lugares celestiais) para edificação de Sua morada em Espírito. Não somos mais deste mundo, não nos apoiamos mais em homens, mas esperamos e nos firmamos em Deus. Porém, o povo de Babel substituiu as “pedras vivas” por “tijolos bem queimados”, isto é, Babilônia substituiu as “pedras brutas naturais” por “pedras falsas”, coisa muito comum à grande meretriz, pois homens simples talhados pelas mãos de Deus, tais como as pedras brutas naturais que são extraídas das rochas, não têm serventia para o povo de Babel, não para compor seu quadro de “edificadores”, porque somente são agraciados para esse fim aqueles forjados pelas mãos dos homens. A Bíblia diz: “Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento”; e ainda: “Não sejas sábio aos teus próprios olhos; teme ao Senhor e aparta-te do mal” (Prov. 3:5,7). Mas Babilônia está repleta de “doutores e mestres” segundo as concupiscências dos homens, porque, se me lembro bem, já ouvi de muitos ímpios a frase: “As igrejas devem por ‘gente estudada’ para ser pastor e não esses ignorantes que nem sabem falar”...

Outra substituição foi o uso de betume (mineral escuro originado de matéria orgânica morta) para suplantar a falta da “cal”. Paulo diz que nós somos o Corpo de Cristo e que Ele é a cabeça da Igreja, então ninguém pode nos dominar ao seu bel prazer, pois quem faz isso não estará ligado à “Cabeça”, mas quer tomar-lhe o lugar, porque é Cristo quem provê as juntas e os nervos para ajustar e ligar os membros do Seu corpo e assim fazê-lo crescer no aumento dado por Deus (Col. 2:18,19). Isto é, as juntas e os ligamentos do Corpo são os ministros da Igreja, os quais são separados, preparados e ordenados pelo Senhor, e a eles cabe a função de “ligar”, isto é, de auxiliar e de ajustar os membros no Corpo de Cristo, para que a Igreja seja aumentada segundo a medida determinada por Deus. Eles são a argamassa provida por Deus para unir as pedras vivas na Casa do Senhor assim como a cal (um mineral de cor branca) era a argamassa das antigas construções. E sobre o “ligar e desligar” de Mateus 16:19 e cap. 18:18; Jesus está concedendo aos que creem Nele poder para “ligar” membros ao Seu Corpo e também de desligá-los Dele, porém essa faculdade não é exercida ao bel prazer de ministros ou denominações, mas na unção do Espírito Santo e no juízo da Escritura Sagrada, porque os que andam em Espírito não cumprem as paixões da carne (Gálatas 5:16).

Enquanto os homens construíam Babel pensavam nas possibilidades que as suas mãos unidas podiam alcançar, ou seja, que juntos eles controlariam seu próprio destino. Nessa loucura, três coisas intentaram para si: 

“Edifiquemos nós uma cidade¹ e uma torre cujo cume toque nos céus², e façamo-nos um nome³, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra” (Gênesis 11:4).

1ª. Edifiquemos uma cidade – Os descendentes de Noé já desviados do plano divino fazem a mesma coisa que Caim fez quando saiu da presença de Deus (Gên. 4:14,16,17);
2ª. E uma torre cujo cume toque os céus – “Um abismo chama outro” e os pós-diluvianos pecaram como Satanás (Isaías 14:13,14);
3ª. E façamo-nos um nome – Os filhos de Sem, Cam e Jafet se organizam, se estruturam e se ensoberbecem; por isso eles erram à maneira dos antediluvianos por também querer para si “um nome na Terra” (veja Gên. 6:4, os gigantes da Terra – varões de renome – homens de fama).

A altivez tomou conta de suas mentes tolas e passo a passo se distanciaram da Palavra de Deus em rebeldia contra o Altíssimo. Os dizeres dos líderes do povo: “Para que não sejamos espalhados sobre a face da Terra”; afronta diretamente a ordem divina: “Enchei a Terra”.  

Obs.: Certos cristãos afirmam que o “Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura” foi uma ordem exclusiva de Cristo aos Seus apóstolos e não a todos os crentes, e dizem que a igreja é composta de adoradores e não de pregadores; é claro que no modelo atual de igreja – um salão onde se reúnem pessoas – evangelizar fica meio sem sentido, mas se a igreja for composta de verdadeiros adoradores, isto é, pessoas que vivem seu dia a dia seja em casa, ou na rua, no trabalho, na condução ou na escola um bom testemunho cristão em santidade, o simples fato de viverem piedosamente já será uma pregação do Evangelho de Cristo, pois pelos seus frutos, os infiéis chegarão ao conhecimento da árvore em que os fiéis estão enxertados. Os primeiros cristãos perseveravam na doutrina dos apóstolos e no temor do Senhor, e o povo infiel dava graças a Deus por causa deles porque eles levavam o bom cheiro de Cristo (davam bom testemunho) em qualquer lugar que estavam. Eles não roubavam, não mentiam, não adulteravam, não difamavam, não blasfemavam, não se embriagavam, não davam escândalos, não davam calote em ninguém, não eram avarentos, não se assentavam nas rodas dos escarnecedores, não negligenciavam o próximo... E o Senhor acrescentava mais e mais membros a Sua Igreja (Atos 2:47 e cap. 5:13,14). Ir ritualisticamente a um determinado local chamado de “igreja” (templo – edifício - prédio) para ser denominado de “cristão-praticante” em detrimento de uma verdadeira identidade cristã, numa vida de adoração a Deus, é uma desobediência ao “Ide” de Jesus do mesmo modo que o povo de Babel ignorou a ordem de Deus. O descrédito dos infiéis à cristandade de hoje não é sem causa, porque muitos cristãos falam de Deus, mas não vivem para Ele, e muitos citam versículos da Bíblia, mas não praticam seus ensinos, e muitos cantam louvores ao Senhor, mas apenas com seus lábios, e muitos ditam regras, mas nem sabem o que estão dizendo... Porém, o que Senhor quer é que todas as coisas feitas para Ele venham do coração e que habitem no crente porque ele é a morada do Espírito de Deus. Os primeiros cristãos até iam ao Templo para orar, mas “partiam o pão” em casa (Atos 2:46, cap.3:1 e 5:12).  

Deus disse a Noé que não mais destruiria o mundo com as águas do dilúvio, mas, como os cidadãos de Babel ignoravam o Senhor, eles se esqueceram da promessa tais como as denominações que arrolam para si o termo “Igreja de Cristo”, e que na verdade não são de Cristo, senão dos homens. Jesus disse não vos deixarei órfãos (João 14:18), E na oração sacerdotal em João cap. 17 Ele clamou: E eu já não estou mais no mundo, mas eles estão no mundo, e Eu vou para ti. Pai Santo GUARDA EM TEU NOME AQUELES QUE ME DESTE, para que sejam um, assim como Nós. Estando Eu com eles no mundo, GUARDAVA-OS EM TEU NOME. Tenho guardado aqueles que Tu me deste... (João 17:11,12). Portanto, se as igrejas espalhadas por ai fossem realmente de Jesus, elas recorreriam a Ele em todas as suas necessidades e não aos homens e suas artimanhas, pois Cristo é o salvador do Seu corpo (Efésios 5:23).

Quando Pedro precisou pagar o imposto das duas dracmas ele recorreu a Cristo (Mateus 17:24-27) e não a um conhecido rico de Cafarnaum; quando os apóstolos e discípulos foram proibidos de anunciar o Evangelho de Cristo eles não clamaram às pessoas influentes de Israel, mas a Deus (Atos 4:1-31); quando Herodes mandou prender o apóstolo Pedro, os crentes não pediram a ajuda dos poderes seculares para que ele fosse solto, mas a Escritura diz que a Igreja fazia contínua oração a Deus por ele (Atos 12:1-5). Aí vemos a diferença, aí entendemos porque as igrejas de hoje são comparadas à prostituta Babilônia. Uma noiva virgem jamais pode achegar-se a outro homem senão ao seu marido, mas a prostituta deita-se com qualquer um desde que o tal lhe dê a paga. Assim as denominações entregam seus púlpitos como palanques eleitorais aos políticos; seus ministros cobiçam as câmaras legislativas e os benefícios seculares; seus pregadores enaltecem e amam as riquezas e as elevadas posições sociais; seus membros honram os méritos do conhecimento humano e a formação de doutores em escolas segundo o modelo dos filhos dos homens... É... Assim é a grande prostituta, mas não a Igreja do Cordeiro.

Seguindo adiante; na construção de sua torre, os filhos de Babel se declaram salvadores de si mesmos, ou seja, não eles precisariam mais de Deus para salvá-los do dilúvio, pois já tinham uma cidade, e teriam uma torre que tocava os céus, e seriam conhecidos por um nome: “A Porta de Deus” (Babel significa: Porta de Deus). Mas o Deus Altíssimo olhou para o “estrado dos Seus pés” e viu o que os homens faziam. Creio eu que esse “olhar de Deus” se deu do mesmo modo como quando olhamos um formigueiro e vemos formiguinhas; pois é, Deus olhou do Seu Alto e Sublime Trono e viu o que aqueles “homenzinhos” estavam tramando.

Eia! Desçamos e confundamos a sua linguagem para que eles não se entendam mais... E assim cessaram de edificar... (Gênesis 11:7,8).

Cristianismo só é cristianismo se Cristo for glorificado na vida e na morte dos cristãos. Atos 2 nos diz que somente nos domínios do Espírito Santo a confusão de Babel é desfeita e que todos os que são Dele se entendem perfeitamente, mas os incircuncisos de ouvidos e de coração não podem sequer ouvi-Lo. Ali, escreveu Lucas, estavam homens de todas as partes do mundo conhecido que foram espalhados pela Terra separados por suas línguas e distâncias territoriais; judeus vindos de todas as nações que estão debaixo dos céus; homens e mulheres, jovens e crianças que foram às festas de Jerusalém; uns por tradição (ritual), outros por obrigação (lei) e alguns por devoção (fé e amor a Deus); uns, circuncisos na carne, outros, circuncidados no coração. Por isso nem todos compreenderam quando os discípulos falaram em outras línguas as grandezas de Deus; visto que alguns dos ouvintes disseram: “Eles estão cheios de mosto” (note-se que a expressão: “cheios de mosto”; denota quem está “muito bêbado”, e que quem se encontra embriagado dessa maneira não consegue falar coisa com coisa, mas apenas balbucia sons ininteligíveis); porém, os que buscavam ao Deus de Israel muito mais do que as festas de Israel, ouviram falar nas suas próprias línguas em que eram nascidos, como meninos que, aos pés dos seus pais, ouvem atentamente as histórias contadas por eles.
Babel é a cidade da torre da confusão e Babilônia é o que sobrou dela e dos seus construtores. Os edificadores de Babel descendem dos que, pela “arca”, foram salvos da ira divina; estes vieram das entranhas daqueles que temeram e obedeceram quando o Senhor lhes fez aliança de salvação, mas que com o tempo se esqueceram e se desviaram do Deus de seus pais... A situação das igrejas de nossos dias é a mesma do povo de Babel, pois apesar de descenderem daqueles que receberam as promessas do Senhor e de se chamarem pelo Nome Dele, não se entendem mais, e não entendem porque são desobedientes à Palavra, e tropeçam na Rocha eleita e preciosa; cada dia mais e mais grupos se dividem formando novas denominações, isto porque uns falam assim e outros assado; fala-se muito do Espírito Santo, mas não querem ouvir o que Ele tem a dizer às igrejas, pois são homens que só querem ouvir as coisas dos homens e não de Deus. 

Eia! Edifiquemos uma cidade (Babilônia), e uma torre que toque os céus (igrejas) e façamo-nos um nome... (Gênesis 11:4).


L. M. S.

terça-feira, 16 de maio de 2017

MARIONETES DE DEUS? CALVINISMO E ARMINIANISMO EM XEQUE?


Instrui o sábio e ele se fará mais sábio; ensina o justo e ele crescerá em entendimento (Provérbios 9:9).

O que segue abaixo é a melhor explicação da "soberania de Deus" em perfeita harmonia com o "livre-arbítrio do homem.
L. M. S.

Por: Rubem Amorese.

Aproveitando a polêmica decisão do governo paulista de internar usuários de crack à força, gostaria de voltar a pensar sobre um problema que já atravessa séculos — uma disputa entre os arminianos e os calvinistas. Correndo todos os riscos da simplificação, descrevo-a assim: se Deus é soberano (como afirmam os calvinistas), o homem não tem livre-arbítrio; é marionete de Deus. Se, por outro lado, o homem pode rejeitar a Deus, e inclusive perder sua salvação (como afirmam os arminianos), então, como fica Sua soberania? A disputa vai longe, uma vez que os dois lados (arminianos e calvinistas) estão munidos de versos bíblicos perfeitamente contextualizados.

Louis Berckhof nos sugere que se duas afirmações bíblicas, em seus contextos, parecerem contraditórias entre si, afirme as duas, pois elas se resolvem em plano superior. Um exemplo é o texto de Paulo aos Romanos, 9 a 11, onde ele contrapõe a responsabilidade de Israel à afirmação de sua soberania aplicada ao caso de Esaú e Jacó.

Os arminianos e calvinistas mais combativos não seguem o conselho de Berckhof. Escolhem um lado e lutam por ele, apaixonadamente. Talvez essa paixão explique o fato de ainda não termos chegado a uma melhor compreensão do tema, tachando-o, quando muito, de paradoxal, ou de insolúvel. A Confissão de Fé de Westminster afirma, em uma mesma frase, que o homem está morto para escolher, mas tem livre-arbítrio. Assim, à busca do referido “plano superior”, compartilho meu modo de ver esse problema. E já pergunto: e se Deus, em sua misericórdia e soberania, determinasse que o homem pudesse decidir sobre amá-lo ou rejeitá-lo? E se Deus nos tivesse feito assim, considerando isso o cerne da “imagem e semelhança”? Uma criatura absolutamente livre, no que concerne à sua possibilidade de amá-lo ou não? Nesse caso, qualquer que fosse a resposta humana, estaria dentro das possibilidades previstas (e determinadas) pelo Criador. Pois bem, entendo que o Gênesis nos relata exatamente isso. E essa compreensão se reflete na própria Confissão de Westminster, capítulo III: “de modo que nem Deus é o autor do pecado, nem violentada é a vontade da criatura, nem é tirada a liberdade ou contingência das causas secundárias, antes estabelecidas”.

Resta, no entanto, um embaraço bíblico: Efésios 2 nos diz que o uso que fizemos (em Adão) da liberdade nos levou a uma escravidão tal que, se Adão foi livre um dia, o mesmo não ocorre conosco. O homem natural é escravo do pecado, de forma que sua vontade está aprisionada. Bem, é aí que eu vejo a ligação entre a soberania de Deus e a liberdade humana. Ao invés de uma se contrapor à outra, harmonizam-se na mente e nos projetos do Altíssimo. Deixe-me explicar.

A BALANÇA - Imagine a situação humana como um fiel de balança. Adão foi feito com seu ponteiro no ponto zero, no prumo. Não pendia nem para a direita nem para a esquerda. É o que chamaríamos de livre-arbítrio. Mas Satanás se valeu de sua escolha desastrada e nos aprisionou a todos do lado esquerdo. Com cadeado. De forma que Efésios 2:1-3 fica retratado nessa situação. Não temos mais escolhas livres. Nosso “escolhedor” está viciado, amarrado.

Então Deus, “por causa do grande amor com que nos amou”, e após nos ter revelado essa nossa condição desesperadora, encerrando-nos todos debaixo da desobediência (Rom. 11:32), usa de misericórdia para com todos. Como? Num determinado momento (ou período, ou fase, sei lá) de nossa vida, chamado pelo autor de Hebreus de “Hoje”, o Altíssimo se vale de seu poder e soberania e atua em nossas vidas, colocando nosso “fiel da balança” no centro de novo. Então, Ele me diz: “escolhe livremente”. E a principados e potestades, diz: “ninguém interfere!” Nesse momento, por causa da soberania e do poder de Deus, e pela atuação de seu Espírito, somos livres; para aceitá-Lo ou rejeitá-Lo. É importante ressaltar que, diferentemente do diabo, Ele não leva nosso fiel para a direita total. Nem o amarra lá. Não. Ele é Senhor gentil: leva-o ao meio, onde exercitamos o “pendor do Espírito” ou o “pendor da carne” (cf. Rom. 8:5). E nos avisa que o pendor da carne é inimizade contra Deus (Rom. 8:7).

Criei uma imagem, inspirado em C. S. Lewis, mais ou menos assim: Qual das lâminas da tesoura corta o pano? Pois bem, aprouve a Deus que nossa salvação se fizesse por meio de uma “tesoura”. Deus se faz uma das lâminas, e nos atribui o papel da outra. Sem Ele, estamos no inferno. Sem a nossa, estamos no inferno. Isso não nos iguala a Deus, pois jamais poderíamos, por nós mesmos, construir essa tesoura e “cortar o pano”. Ele permanece no seu Santo Trono. Soberano. Justo, reto… E misericordioso.

Terminando o argumento, acho que é por isso que Jesus ensina a mulher samaritana que Deus procura alguma coisa. Procura verdadeiros adoradores. Criou a tesoura e espera que ofereçamos nossa lâmina, para nosso bem.

UMA PARÁBOLA - Na época, em 1996, a televisão levou ao ar uma reportagem sobre o uso de crack pelos adolescentes (e o assunto, hoje, virou epidemia). Ao ver, na reportagem, o sofrimento dos pais e a luta ingente do drogado, lutando para se livrar das garras tirânicas da dependência, me ocorreu a seguinte parábola sobre esta questão da soberania divina e da liberdade humana. 

Ei-la: Certo dia, um pai descobre que seu filho é um drogado, dependente de crack. Faz de tudo para ajudar o rapaz, mas este, ainda que lute para se desvencilhar, não tem mais forças para largá-la, e tenta se matar, inclusive para se livrar do complexo de culpa, pelo desgosto causado aos pais. O pai o acha a tempo (estava meio de olho), socorre-o e o salva. Alguns dias depois, em conversa com o filho já convalescente, propõe-lhe uma solução extrema. O pai tem uma ideia para devolver ao filho a força (o livre-arbítrio) para sair daquela situação. Propõe ao filho e este aceita. Pegam um carro e vão somente os dois, para um sítio isolado. Longe de tudo e de todos. Ali, tentarão lutar contra a droga, cortando lenha, subindo corredeiras, trabalhando pesado até caírem mortos de cansaço. O pai está atento e determinado a aguentar mais que o fragilizado rapaz.

No segundo dia, o jovem começa a mudar: a mostrar-se indócil, agitado, impaciente, nervoso, irado, truculento, violento. Ele precisa daquela droga. Seu organismo exige (seu “senhor” o está chamando de volta). O pai vai contemporizando, conversando, distraindo, sabendo que precisa ganhar tempo. Precisa, pelo menos, de uma semana (este é o tempo que os médicos estabelecem para a desintoxicação química do organismo).

No terceiro dia, o filho tenta fugir de noite, mas o pai, que a esta altura está dormindo com um olho só, intercepta-o. O garoto está transtornado. O pai o agarra. Este, cego por dores internas fortíssimas, agride o pai com fúria, e tenta correr. O pai se levanta e o alcança. Está determinado a ajudar o filho. Uma semana, é a meta. Faltam 4 dias ainda. Agarra o garoto, que tenta agredi-lo novamente. Mas desta vez o pai é quem o soca violentamente. O garoto cai desacordado. O pai o leva de volta para a casa e o amarra na cama. Quando o rapaz acorda, começa a gritar, gemer, xingar, blasfemar, contorcer-se, desafiar o pai, e a dizer-lhe os piores desaforos. O pai tenta abraçá-lo, mas é recebido com cusparadas e palavrões. Uma noite de cão! A estas alturas, imagino um calvinista dizendo: “aqui, o pai retirou o livre-arbítrio do menino”. E eu responderia: “Que livre-arbítrio?”

Amarrado, o rapaz fica ali por mais quatro dias. Reclama de dores nas costas, de mau-jeito, de dores nas mãos, nos tornozelos, por causa das cordas. O pai, algumas vezes, tentou afrouxá-las, para aliviar o desconforto, para levá-lo ao banheiro, etc., mas ele tentou escapar. Foi preciso lutar, agarrar, bater de novo. Bem, não vou me alongar nos detalhes deste transe medonho. O fato é que a semana se passa, e, ao raiar do oitavo dia, o garoto já não está mais suando, nem com cólicas, nem trêmulo, nem com dores. Passou. A dependência química está cedendo. Nesse dia, logo pela manhã, o rapaz acorda com um cheiro de café coado na hora, broas de milho, pão, manteiga e outras guloseimas, uma mesa posta para ele. E como não comia nada há alguns dias, estava faminto.

Então o pai o surpreende: chega à sua cama com um sorriso e desata-lhe as cordas. Solta o rapaz e convida-o para o café. Ele toma um banho quente e se assenta à mesa. Está mais animado, e chega a balbuciar algumas palavras monossilábicas, em resposta às tentativas de conversa do pai. Está despertando de um pesadelo. No meio do café, num gesto brusco, o rapaz se levanta e corre para a porta. Num segundo, já está lá na porteira. Mas estranha que seu pai não esteja ao seu encalço. Olha para trás e constata que ele ficou parado, na porta da casa. Desconcertado e curioso, ele para e arrisca uma olhada, como que a perguntar: você não vai me prender? O pai, entendendo a perplexidade do filho, grita de lá: “filho, Hoje você é um homem livre, das drogas e de mim. Você volta para elas se quiser; volta para mim se quiser. 

Meu filho! Não quer terminar o seu café?”

OUT 03, 2016 BY DALADIER LIMAIN ESTUDOS.