MANANCIAL

MANANCIAL
"Jardim fechado és tu, minha irmã, esposa minha, manancial fechado, fonte selada". (Cânticos 4:12)

quarta-feira, 19 de abril de 2017

ONDE ESTÁ O DEUS DE ELIAS? (2 Reis 2:14).

... Se o Senhor é conosco por que nos sobreveio tudo isto? E que é feito de todas as maravilhas que nossos pais nos contaram, dizendo: Não nos fez o Senhor subir do Egito? Porém, agora, o Senhor nos desamparou... (Juízes 6:13).

Creio que viver pela fé tem haver com o que Jesus disse sobre “negar-se a si mesmo”, isto é, o que eu quero não importa, mas sim o que Deus quer; pois eu quero ver para crer, mas Deus quer que eu creia ainda que cego; eu quero ser forte para vencer as lutas e as provações, mas Deus quer que eu seja fortalecido nas lutas e provações; eu quero ter abundância de bens, mas Deus quer que seja fiel no pouco...

Nós crentes ouvimos desde sempre que Deus operou sinais e maravilhas no passado. Muitos prodígios foram realizados por Jesus e seus discípulos; os Evangelhos estão cheios de relatos das maravilhas operadas por Deus; o Livro de Atos confirma que o Senhor permitia que pelas mãos dos seus servos se fizessem muitos milagres. Mas... E agora? Onde estão as curas?

Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens (1 Cor. 15:19).

Precisamos entender que há condições para que Deus opere seus sinais, e as exigências são: obediência da fé, ou seja, fé com compromisso, a fidelidade; amar a Deus e ao próximo, isto é, crer Nele e compadecer-se das misérias dos outros; odiar o pecado, rejeitar o mal e buscar a santidade em Deus; suportar (dar suporte – apoio – sustentação) e orar uns pelos outros. Todos estes atos se traduzem numa vida de comunhão no Espírito Santo.
Outro item importante é que os sinais “seguiriam” somente os que cressem na Palavra de Deus, pois os milagres são a confirmação do Espírito Santo à Palavra pregada (Marcos 16:17-20). O Senhor não dá pérolas aos porcos nem as coisas santas aos cães (Mateus 7:6), porque do “pão que desceu do céu” só podem comer os creem que Cristo é o “pão da vida” (Mateus 12:4, João 6:32-48).

... e perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Em cada alma havia temor, e muitos prodígios e sinais eram feitos pelos apóstolos. Todos os que criam estavam unidos e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens e os repartiam por todos, segundo a necessidade de cada um. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E cada dia acrescentava-lhes o Senhor os que iam sendo salvos. (Atos 2:42-47).

O amor a Deus e ao próximo é a receita para que o Espírito Santo permita que os sinais e maravilhas se manifestem e é por isso que não os vemos mais nas igrejas, senão as falsas manifestações.

A carnalidade das igrejas de hoje não traduz o pentecostalismo bíblico; o que está havendo nas igrejas atuais é que por falta do ensino das Escrituras elas estão descambando para as superstições e mentiras, pois ignoram que o princípio da sabedoria é o temor do Senhor e que tudo o que dantes foi escrito na Bíblia, para nosso ensino foi escrito (Rom. 15:4), pois essas manifestações não são espirituais, senão carnais. Até mesmo onde havia manifestações verdadeiras do Espírito Santo como na igreja de Corinto, foi necessário que o apóstolo Paulo interviesse porque, ela abundava nos dons, porém era ignorante quanto ao seu devido uso e fins e, além disso, tolerava em seu meio o partidarismo, o adultério, a injustiça e consequentemente a bagunça, permitindo assim, que o Nome de Cristo e Seu Evangelho fossem caluniados por incrédulos, muito semelhante às denominações de hoje. 

Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, donde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; e se não, brevemente virei a ti, E REMOVEREI DO SEU LUGAR O TEU CANDEEIRO, se não te arrependeres. (Apocalipse 2:4,5).

Os cristãos verdadeiros sofrem angústias por causa da corrupção que se instalou nas Igrejas atuais, da mesma maneira que sete mil fiéis remanescentes de Israel devem ter sofrido por causa das abominações desoladoras institucionalizadas por Jezabel (1 Reis 19:18), ou como os judeus cativos choravam por Jerusalém destruída, nas margens dos rios de Babilônia (Salmos 137; Ezequiel 1:1,2); contudo, embora não vejamos mais os prodígios do Espírito, sabemos que o justo pela sua fé viverá, pois mesmo que a figueira não floresça, e que não haja fruto na vide, e os campos não produzam o cereal; e mesmo ainda que as ovelhas sejam roubadas, e nos currais não haja mais o gado; todavia nós nos alegraremos no Senhor, e exultaremos no Deus da nossa salvação, porque o Senhor é a nossa força e Ele nos fará andar nas alturas (Habacuque 2:4 e cap. 3:17-19).
    
Voltemos ao primeiro amor!

L. M. S.         

segunda-feira, 17 de abril de 2017

A REFORMA PROTESTANTE – O VINHO NOVO EM ODRES VELHOS.

1517-2017, os quinhentos anos da Reforma Protestante.

Muito se tem falado hoje em dia da necessidade das igrejas voltarem a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos (Judas 1:3), porém nesse clamor pouco se diz por intermédio de quem essa fé nos foi comunicada. Porque vários pregadores parecem estar esquecidos de que a Igreja de Cristo foi fundamentada na doutrina dos apóstolos a dos profetas (no Novo e no Antigo Testamento) da qual Jesus Cristo é a principal Pedra de Esquina, e que, portanto, todo o edifício que se constrói deve estar ajustado a essa Rocha preciosa e eleita por Deus devido à sua perfeição (Efésios 2:20, 1 Pedro 2:4). 

Eu vejo que os defensores da fé evangélica fazem-na, mas citando a reforma protestante como se ela fosse o maior marco eclesiástico da história da Igreja, e chegam a colocar, às vezes, homens como Lutero, Calvino, Armínio e outros, num patamar superior ao dos apóstolos de Cristo, os quais deram suas vidas pelo Evangelho; pois estes pregadores reformados citam veementemente em seus sermões, as frases e as doutrinas compiladas de origem protestante como se elas fossem tal qual a Escritura Sagrada é, ou seja, inerrante e infalível. Mas será que a reforma protestante foi mais importante que o evento sob o qual nasceu a Igreja? Teria o protestantismo com seus seminários e doutores maior conteúdo bíblico que as revelações recebidas diretamente do Espírito Santo e entregues pelos apóstolos à Igreja primitiva? Quem pode conhecer as coisas de Deus, senão pelo Espírito de Deus?... (1 Cor. 2:11).

Deus tem, por vezes, avivado a chama do Evangelho ao longo dos séculos nestes “dois dias” da Era Cristã, pois tendemos ao esquecimento e somos propensos a negligenciar a obra de Deus com o passar dos anos; da mesma forma fez Israel quando se esqueceu da Rocha em que foi gerado (Deut. 32:18). Por isso, o Senhor sopra, de vez em quando, o Seu Espírito em Seu altar fazendo com que a chama reacenda e a Sua luz resplandeça nas trevas.

É nossa obrigação manter viva a chama que foi acesa pelo Espírito Santo no altar do Senhor, pondo em ordem a lenha e o sacrifício sobre ele (anunciar ao mundo a cruz e a salvação em Cristo Jesus) para oferecer o holocausto de cheiro suave (Cristo, o Cordeiro de Deus, o sacrifício perfeito) em oferta pacífica a Deus, pois é Jesus quem deve ter toda a glória e toda a honra em Sua Igreja e não os homens (1 Cor. 1:1-31), pois um é o que planta e outro é o que rega, porém nem o que planta é alguma coisa e nem o que rega, mas Deus que dá o crescimento (1 Cor. 3:7).

O fogo que está sobre o altar arderá nele, não se apagará; mas o sacerdote acenderá lenha nele cada manhã, e sobre ele porá em ordem o holocausto e sobre ele queimará a gordura das ofertas pacíficas. O FOGO ARDERÁ CONTINUAMENTE SOBRE O ALTAR; NÃO SE APAGARÁ. (Lev. 6:12,13).

A reforma protestante foi apenas mais um dos muitos avivamentos da história da Igreja, mas que, em poucos anos, foi adaptada aos interesses humanos, e aquilo que poderia ter sido um retorno ao primeiro amor, ao fundamento dos apóstolos e dos profetas, um rompimento com o secularismo e com a religiosidade apostatada da fé, ficou estagnado e contentou-se em apenas “reformar” o corrompido catolicismo de Roma, porém mantendo as suas bases como: clero; seminários; templos; privilégios; autoridade secular; dízimos; batismo ritual; dias sagrados e etc.  

O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem e nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito (João 3:8). Isto foi dito por Jesus a Nicodemos, porque Nicodemos era um dos príncipes (anciãos) de Israel, isto é, um dos que tinham domínio sobre as Leis sagradas e sobre a religiosidade do povo, ou seja, Nicodemos era um dos que se apoderaram do Reino do Céu. Então Jesus nos ensina que quem nasce do Espírito não pode mais querer possuir o controle da sua vida e de seu destino, e muito menos do Reino do Céu, mas agora quem nos comanda é o Senhor Deus pelo Seu Espírito que habita em nós, portanto é Ele quem nos conduz e não nos importa mais saber de onde viemos ou para onde iremos.    

Os avivamentos são providências de Deus, eles servem para despertar os sinceros do sono ao qual foram submetidos em meio às trevas da falsa religiosidade e, seguindo essa linha, após a motivação da reforma cair no esquecimento, o Senhor, mais tarde, providenciou um novo avivamento de relevância: o pentecostalismo. Alguns podem questionar e dizer que antes disso outros “movimentos” do Espírito aconteceram, sim é claro, mas eles não ficaram gravados na memória da Igreja como a reforma protestante e o pentecostalismo ficaram. E o grau de importância desses avivamentos pode ser medido pelo combate que sofreram e ainda sofrem pelas instituições religiosas oficiais, sim, pois, assim como os judeus que monopolizavam o reino do céu combatiam a Jesus aos seus discípulos, também os católicos que assumiram o monopólio da Igreja combateram e ainda combatem os protestantes, e estes por sua vez combatem os pentecostais que por sua vez combatem os católicos e os protestantes tradicionais.

Ultimamente tem surgido um novo mover do Espírito Santo despertando muitos crentes para a verdade das Escrituras e assim seguir o que o Espírito diz às Igrejas; mas o ponto em comum entre esses “despertares” é a frase impactante que diz: “Sai dela povo Meu...”

Apocalipse 18:4 – E ouvi outra voz do céu, que dizia: Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas.

Jeremias 51:45 – Saí do meio dela, ó povo meu, e livrai cada um a sua alma do ardor da ira do Senhor.  

Nesse novo sopro divino, cristãos fiéis estão deixando das suas instituições religiosas para buscar na Palavra de Deus o retorno à fé cristã pura, sem os fermentos das denominações atuais; os usurpadores da "vinha do Senhor" rotularam a estes servos e servas que os deixaram como: “os desigrejados". Sim, são desigrejados dessas igrejas corrompidas, mas se permanecem fiéis ao Senhor Jesus Cristo e à Sua Palavra, eles não estão fora da verdadeira Igreja de Cristo, porque ela não é uma associação ou um clube em que os seus membros tenham que possuir uma carteirinha de sócio. Mas o que vemos atualmente são Igrejas desviadas da fé apostólica e muitos crentes saindo desse meio religioso secularizado comparável a uma construção velha e carcomida pelo pecado e que deve ser destruído primeiro para só então ser reedificado a partir da “Rocha eleita e preciosa”; todavia, a rebeldia humana parece não permitir a ideia de que o “Templo” corrompido deva ser derrubado e reedificado segundo as medidas e o prumo do Senhor Deus, porque são tantos os interesses pessoais envolvidos que o Dono do Templo não tem qualquer primazia sobre ele, por isso que ao invés de por abaixo o que foi construído fora do padrão divino, preferem reformá-lo. Porém Deus não faz reformas. Ele não reformou o judaísmo, mas lançou fora todo o fermento farisaico para que a nova massa não fosse contaminada, e não reformou o cristianismo apostatado do final da era apostólica, mas joeirou o trigo e o separou do joio em meio às aflições nas várias perseguições sofridas pelos fiéis. 

A reforma protestante deixou sua marca na história, mas foi desvirtuada pelo fraco entendimento dos seus ministros acerca da verdade sobre Reino de Deus de que o Reino de Cristo não é deste mundo; e se ele não é deste mundo, os seus filhos também não são.  

Tanto a reforma protestante como o pentecostalismo, ambos receberam o vinho novo, porém não se desfizeram dos odres velhos, mas intentaram reutilizá-los, por isso os odres se romperam e o vinho se derramou. Contudo, nestes últimos momentos da Igreja o Senhor está preparando novos odres para guardar o Seu vinho novo, porque os velhos não eram dignos de contê-lo e nem o podiam fazer. Por isso todo aquele que ouvir o chamado do Senhor neste tempo final, se “despirá do velho” e se “vestirá do novo” o qual se renova para o conhecimento da vontade daquele que segundo a Sua imagem nos criou (Col. 3:10).

Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra; porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória. (Col. 3:1-4).


L. M. S. 

quarta-feira, 5 de abril de 2017

SEDE MISERICORDIOSOS... (Lucas 6:31-36)

Ser misericordioso não significa ser conivente com o mal, quero dizer, o exercício da misericórdia compreende o serviço e o amor cristão em atenção aos pecadores, porém não quer dizer que esse serviço de amor deva ignorar o pecado ou ser tolerante (passivo) com aquilo que é contra Deus. Sabemos que todos nós estamos sujeitos às mesmas paixões, mas nem por isso daremos ocasião a elas, pois Cristo já venceu o pecado e o mundo por nós, pois foi Ele mesmo que disse: “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, Eu venci o mundo” (João 16:33). Então se estivermos Nele, a vitória Dele passa ser nossa também.

Porventura a minha Palavra não é como o fogo, diz o Senhor, e como um martelo que esmiúça a penha? (Jeremias 23:29).
A brandura com os maus caminhos dos homens causa mais males para estes do que qualquer outra coisa, pois é pelo conhecimento da verdade “nua e crua” (sem rodeios), que os pecadores são libertos e salvos do inferno.

Ultimamente, por causa de uma doutrinação “politicamente correta” em nosso país, palavras como: viciado ou drogado, sodomita e/ou efeminado, e presos condenados; foram respectivamente substituídas por: dependente químico, gays ou transgêneros, e reeducandos. Isto quer dizer que o sujeito envolvido com o mundo das drogas não é culpado do seu vício, pois o seu organismo é propenso à dependência de substância entorpecente; e que os homossexuais não tiveram escolha, pois já nasceram assim; e que os criminosos são uns injustiçados, pois eles não têm culpa de não receberem uma educação correta na infância. Mas as Escrituras não aliviam com o pecado, pois a verdade não pode ser moldada ao “gosto do freguês”; goste ou não, o que é verdadeiro sempre o será, porém, o “politicamente correto” adentrou até as portas das Igrejas com aval de ministros que transformaram o juízo em alosna (absinto - sabor amargo, desagradável) e que derrubaram a justiça por terra (Amós 5:7).

... Ficarão de fora os cães, os feiticeiros, os sodomitas, os efeminados, os homicidas, os ladrões, os fornicadores, e todos os que amam e praticam a mentira... Porque Deus não tem parte com a mentira, Deus não tem associação com o pecado, Deus não negocia com a injustiça... (1 Cor. 6:10; Apoc. 22:15).

Quem pratica e ama a mentira ficará de fora do Reino de Deus porque é filho do diabo, porque o diabo é o pai da mentira (João 8:44); portanto viver uma mentira é viver no pecado, é amar as trevas e não vir para a luz para que as más obras não sejam manifestas (João 3:20).

O ponto é este, quem quer viver na corrupção do pecado e dominado pelos seus desejos carnais, não gosta de ouvir a verdade e odeia que se dê “nome aos bois” preferindo, ao invés disso, palavras brandas aos seus ouvidos para que a sua consciência não o acuse e lance em seu rosto os seus atos reprováveis. É por isso que estes odeiam os crentes sinceros, pois para eles a vida íntegra dos fiéis se faz um testemunho retumbante contra a iniquidade em que vivem.

Quem liberta é a verdade e não as meias verdades e nem as palavras dóceis, pois a Escritura diz: “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (João 8:32). Quer ser livre? “Conheça” a verdade, una-se a ela em um só corpo, ou seja, tenha comunhão com ela, entregue-se a ela, possua-a; pois segundo a Bíblia, a palavra “conhecer” não significa apenas saber ou tomar ciência, mas principalmente “dar-se em casamento”, isto é, duas pessoas que se entregam uma à outra em um ato consensual visando formar um só corpo. 


L. M. S.    

sexta-feira, 24 de março de 2017

...CONTUDO, O SENHOR DEUS NUNCA SE DEIXOU SEM TESTEMUNHO (Atos 14:17).

Ao Deus desconhecido... (Atos 17:23).

Ele, o Senhor Deus, preservou o justo Ló, um homem que afligia a sua alma todos os dias por causa das injustas obras dos habitantes de Sodoma e Gomorra. Ló convivia diariamente com a imoralidade, a violência, a injustiça, a torpeza e o desprezo a Deus pelos homens e mulheres ao seu redor (2 Pedro 2:7-9). Mas, por que ele ainda continuava vivendo ali? Porque Deus não se deixa sem testemunho; Ló era a luz de Deus naquele lugar, o seu testemunho diário de que há um Deus vivo e verdadeiro e era o parâmetro da justiça do Senhor contra as injustiças, pois; como poderia o Deus justo julgar e punir um povo ímpio sem estabelecer um padrão do que é justiça? Porque é pela boca de duas ou três testemunhas que se condenará o malfeitor por suas más obras. Os próprios habitantes de Sodoma disseram que Ló era “estrangeiro”, um “estranho”, um “alienígena”, pois não praticava as mesmas obras que eles; e disseram ainda, que ele queria colocar-se como juiz (mediador) nas questões das más atitudes dos sodomitas (Gênesis 19:9).

Eis a história de Noé, um homem justo e íntegro entre os seus contemporâneos; ele andava com Deus. Noé também foi deixado como um remanescente dos filhos de Deus no meio de uma geração pervertida. Ele foi o pregoeiro da justiça que por quase cem anos (Gênesis 5:32 e cap. 7:11) construiu, sem ajuda dos antediluvianos, a “Arca da Salvação” conforme o projeto de Deus (Gênesis 6:15,16 e cap. 7:2,3). Pela boca de Noé e pela obra da sua fé, ou seja, a Arca, o Senhor condenou o mundo antigo à destruição (Gênesis 6: 8,9,18 e cap. 7:1; Hebreus 11:7; 2 Pedro 2:5) porque Deus não se deixa sem testemunho.

Acabe, rei de Israel, seguindo pelo mesmo caminho de Jeroboão e dominado por sua idólatra esposa, recebeu as duras profecias de Elias acusando-o de seus pecados e que por causa deles os céus seriam fechados por três anos e meio segundo a palavra do profeta. E mesmo num reino corrompido pela adoração do “bezerro de Betel” e dos templos dedicados a Baal e Astarote em Samaria, com seus falsos profetas e sacerdotes, o Deus vivo preservou, além de Elias, sete mil homens que não se curvaram e nem beijaram os ídolos, porque o Senhor não se deixa sem testemunho. 

Hoje também Deus mantém um remanescente fiel a Ele. Trata-se de um pequeno povo que preserva o temor do Senhor e o amor à Sua Palavra. Homens e mulheres compromissados com a verdade e que não beijam e nem se ajoelham perante os deuses da Terra. Um pequenino grupo que não levantou ídolos em seus corações, pois serve ao único e verdadeiro Criador dos Céus de toda a Terra.

“Não se coloca a candeia debaixo do alqueire, antes, no velador e assim ilumina a todos na casa. E quem é da luz, vem para a luz, para que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus”.

Homens de Deus são enviados como ovelhas no meio dos lobos, e são postos ali para testemunho contra as obras injustas dos homens ímpios. O Senhor fala por meio dos seus profetas; eles são o “cordel e a cana de medição” e também o “prumo divino” com os quais Deus avaliará as edificações iníquas e as julgará. Portanto, não temamos os que matam a carne, mas que nada podem fazer contra a alma; temamos sim, Àquele que tem poder de matar e de lançar corpo e alma no inferno.

“Os ímpios não subsistirão no juízo, nem os pecadores na congregação dos justos. Porque o Senhor conhece o caminho do justo, mas o caminho dos ímpios perecerá”.

L. M. S.  

RECEBER O ESPÍRITO SANTO E RECEBER O BATISMO NO ESPÍRITO SANTO.

Qual é a diferença?

Os protestantes da reforma dizem que quando uma pessoa se converte a Cristo já tem o Espírito Santo habitando nela; sim, isto é verdadeiro; porém os reformados erram quando dizem que o Batismo no Espírito Santo é dado no momento da conversão do pecador; não, isto não é verdade. Os presbiterianos, os metodistas, os luteranos e os batistas estão errados quanto a isto e posso provar nas Escrituras.

Se atentarmos para os versos dos Evangelhos de Lucas e de João que tratam da ressurreição de Cristo, há uma menção esclarecedora sobre o que é receber o Espírito santo (João 20:19-23) e qual é a consequência disso (Lucas  24:1,13,22-24,29,33,34,36,44,45,48), o que é muito diferente de receber o batismo no Espírito Santo.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO.

João 20:19-23
19. Chegada, pois, “A TARDE DAQUELE DIA, O PRIMEIRO DA SEMANA”, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, CHEGOU JESUS, E PÔS-SE NO MEIO, e disse-lhes: PAZ SEJA CONVOSCO.
20. E, dizendo isto, mostrou-lhes as suas mãos e o lado. De sorte que os discípulos se alegraram, vendo o Senhor.
21. Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco; Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós.
22. E, havendo dito isto, “ASSOPROU SOBRE ELES”e disse-lhes: “RECEBEI O ESPÍRITO SANTO”.
23. Aqueles a quem perdoardes os pecados lhes são perdoados; e àqueles a quem os retiverdes lhes são retidos.

Lucas 24: 1,13,22-24,29,33,34,36,44,45,48.
1. E no primeiro dia da semana, muito de madrugada, foram elas ao sepulcro, levando as especiarias que tinham preparado, e algumas outras com elas.
13. E eis que no mesmo dia iam dois deles para uma aldeia, que distava de Jerusalém sessenta estádios, cujo nome era Emaús.
22-24. É verdade que também algumas mulheres dentre nós nos maravilharam, as quais de madrugada foram ao sepulcro; E, não achando o seu corpo, voltaram, dizendo que também tinham visto uma visão de anjos, que dizem que ele vive. E alguns dos que estavam conosco foram ao sepulcro, e acharam ser assim como as mulheres haviam dito; porém, a ele não o viram.
29. E eles o constrangeram, dizendo: FICA CONOSCO, PORQUE JÁ É TARDE, E JÁ DECLINOU O DIA (JÁ HAVIA PASSADO DO MEIO DIA). E entrou para ficar com eles.
33,34. E NA MESMA HORA, LEVANTANDO-SE, TORNARAM PARA JERUSALÉM, E ACHARAM CONGREGADOS OS ONZE, e os que estavam com eles, Os quais diziam: Ressuscitou verdadeiramente o Senhor, e já apareceu a Simão.
36. E falando eles destas coisas, “O MESMO JESUS SE APRESENTOU NO MEIO DELES, E DISSE-LHES: PAZ SEJA CONVOSCO”.
44. E disse-lhes: São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: Que convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, e nos profetas e nos Salmos. 45. Então “ABRIU-LHES O ENTENDIMENTO PARA COMPREENDEREM AS ESCRITURAS”.
48. E destas coisas “SOIS VÓS TESTEMUNHAS”.

Conseguiram perceber a similaridade dos textos?

Chegada, pois, “A TARDE DAQUELE DIA, O PRIMEIRO DA SEMANA”, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, CHEGOU JESUS, E PÔS-SE NO MEIO, e disse-lhes: PAZ SEJA CONVOSCO! (João 20:19).

Mas no PRIMEIRO DIA DA SEMANA... Naquele mesmo dia dois deles estavam de caminho para uma aldeia chamada Emaús... Fica conosco, PORQUE É TARDE, e o dia já declina (passou do meio dia)... NA MESMA HORA, levantando-se, voltaram para Jerusalém, onde acharam reunidos os onze... Falavam ainda estas coisas quando JESUS APARECEU NO MEIO DELES, e disse-lhes: PAZ SEJA CONVOSCO!...  (Lucas 24:1,13,29,33,36).

Os textos de João e de Lucas se completam dando um panorama do que aconteceu na “tarde do primeiro dia da semana”, onde o Cristo ressurreto aparece aos seus onze discípulos e aos demais que com eles estavam congregados e lhes prega a Palavra de Deus a qual desde Moisés até os profetas dava-Lhe testemunho, e que “assoprou sobre eles” o Seu Espírito Santo abrindo-lhes o entendimento para que pudessem compreender o que lhes dizia.

Vejamos novamente: 
Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco; assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós. E, HAVENDO DITO ISTO, ASSOPROU SOBRE ELES E DISSE-LHES: RECEBEI O ESPÍRITO SANTO. (João 20:21,22).
ENTÃO ABRIU-LHES O ENTENDIMENTO PARA COMPREENDEREM AS ESCRITURAS. E disse-lhes: Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dentre os mortos, E em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém. E DESTAS COISAS SOIS VÓS TESTEMUNHAS. (Luc. 24:45-48).

Os discípulos de Cristo, até a morte de Jesus, ainda não compreendiam o ministério do Messias, eles até creram em Jesus, porém, criam do mesmo modo que os demais judeus criam – e como muitos judeus de hoje ainda creem – isto é, eles esperavam que o Ungido de Deus viesse para restaurar a nação de Israel às glórias do passado como no tempo de Davi e Salomão, ou seja, que o Cristo seria um chefe político, um rei terreno; e por que eles pensavam assim? Porque Cristo ainda não tinha “soprado sobre eles o Espírito Santo”. E quando Jesus depois de ressurreto fez isso, seus entendimentos foram abertos pelo Espírito de Deus para compreenderem as Escrituras e assim saberem que o reino de Cristo não é deste mundo, ou seja, que não é desta criação, mas da vindoura, isto é, do novo Céu e da nova Terra.

Semelhantemente, quando Cristo sopra sobre alguém o Seu Espírito, essa pessoa tem o seu entendimento aberto para compreensão da Palavra de Deus e daí em diante, o Espírito Santo passa a viver dentro do converso fazendo morada no seu coração promovendo o novo nascimento da água (Palavra de Deus) e do Espírito para que o mesmo possa “ver o Reino de Deus” (João 3:1-7).

Então o que é o Batismo no Espírito Santo?

“... Mas recebereis poder (virtude), ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas...”  (Atos 1:8).

O Batismo no Espírito Santo é “poder do Céu” para dar testemunho da verdade, isto é, o Batismo no Espírito Santo é a “virtude de Deus” que capacita o crente a testemunhar fielmente de Cristo Jesus ao mundo. É a “escada de Betel”; os Céus abertos e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem.

O Batismo no Espírito Santo não é dado na hora da conversão do pecador a Cristo, mas para recebê-lo,os crentes em Cristo deverão buscá-lo com orações e súplicas pedindo ao Pai em Nome de Jesus e será concedido a todos aqueles que desejarem ser fortalecidos espiritualmente para dar testemunho fiel e poderoso em meio às tribulações. Na Antiga Aliança, a virtude do Espírito Santo era para apenas alguns designados e destacados por Deus, mas na Nova Aliança, a promessa é de que o Espírito seria derramado sobre toda a carne, a tantos quanto o Senhor chamar (Atos 2:17,18,38,39).

O Batismo no o Espírito Santo capacita os crentes com dons espirituais para a edificação do Corpo de Cristo, isto é, para a construção e aperfeiçoamento dos santos; pois através dos dons de profecia, revelação, de línguas e interpretação, o Espírito de Deus atua diretamente sobre os crentes exortando-os, consolando-os e edificando-lhes o espírito; é por meio dos dons de cura e de maravilhas que o Espírito Santo confirma a Palavra que foi pregada; é também por intermédio dos dons espirituais que o Espírito Santo escolhe e indica os que serão separados para o ministério na Igreja; ou seja, o Batismo no Espírito Santo é o meio pelo qual Deus distribui os dons espirituais para atuar diretamente no meio dos seus filhos (Marcos 16:20; Atos 1:8 e capítulo 13:1-4 e 14:3; 1 Coríntios 12:28-31 e capítulo 14:1-5).

Receber o Espírito Santo e receber o Batismo no Espírito Santo são coisas distintas, pois a primeira tem haver com a conversão do pecador a Cristo (1 Coríntios 12:13 - fomos batizados em um só Corpo e bebemos de um mesmo Espírito), e a segunda é concernente à virtude de Deus para anunciar Cristo Jesus ao mundo, não na persuasão da letra e das palavras, mas no poder espiritual do Evangelho de ressuscitar os mortos (João 5:24,25,28,29).

L. M. S. 

sábado, 11 de março de 2017

O SONHO DE NABUCODONOSOR EM DANIEL CAPÍTULO 2.

A Cabeça de Ouro – “Tu, ó rei, és rei de reis, a quem o Deus do céu deu o reino, o poder, a força e majestade, em cujas mãos Ele entregou o domínio em todo o mundo sobre os seres humanos, os animais do campo e as aves do céu. Tu és a cabeça de ouro”. (Daniel 2: 37,38).

O Primeiro Reino.

Nabucodonosor era o Império Babilônico em pessoa. As conquistas militares do seu Império e o esplendor arquitetônico de Babilônia deviam muito às suas proezas. Daniel diz que a cabeça de ouro da estátua era, literalmente, o Império Babilônico representado por Nabucodonosor.

Ouro - O nobre metal foi usado em abundância para embelezar a cidade de Babilônia. Heródoto descreveu a magnificência do resplendor do ouro nos templos da “Grande Cidade”. A imagem de Bel, o deus babilônico, o seu trono, a mesa das oferendas e o altar eram feitos de ouro.

Cabeça - Nabucodonosor era “rei de reis” porque se sobressaía entre os reis da Antiguidade, portanto ele era a “cabeça” dos reinos do mundo.
O Segundo Reino.

Peito e Braços de Prata - Depois de ti se levantará outro reino, inferior ao teu… (Daniel 2: 39 a). Este segundo reino da profecia de Daniel é chamado de Império Medo-Persa, e incluía o mais antigo Império Medo e as aquisições mais recentes de Ciro II, o conquistador persa. É pouco provável que o segundo reino seja somente o Império Medo, o que converteria a Império Aquemênida (Persa) no terceiro reino; principalmente porque o Império Medo foi contemporâneo do Império Neobabilônico, não seu sucessor, e também porque o Império Medo caiu ante Ciro, o persa, antes da queda da Babilônia. Sabe-se que Dario reinou em Babilônia por permissão do verdadeiro conquistador, Ciro, que derrotou Belsasar, rei da Babilônia. O livro de Daniel se refere várias vezes à nação que conquistou a Babilônia, à qual Dario representava, como "os Medos e os Persas". Segundo Heródoto, Ciro havia dito que era parte persa e parte medo. Ciro, que tinha chegado a ser rei da Pérsia, derrotou a Astíages dos Medos no ano 553 ou 550 AC. Assim os persas que anteriormente estavam subordinados aos medos, chegaram a ter o domínio no que tinha sido o Império Medo, já que os persas governaram desde o tempo de Ciro em adiante, e são mencionados normalmente como Império Aquemênida. Mas o prestígio mais antigo se refletia na frase "Medos e Persas" que se aplicava aos conquistadores da Babilônia no tempo de Daniel e ainda mais tarde. A posição honrosa de Dario depois da conquista da Babilônia demonstra o respeito de Ciro para com os Medos, ainda que o mesmo detivesse realmente o poder. Portanto, os “braços de prata” são alusivos a Ciro e Dario, e o “peito de prata” da estátua simboliza a unidade do império Medo-Persa sob o domínio desses dois governantes.

O Império Medo-Persa era bem maior em extensão e população do que o reino de Nabucodonosor. Não só incluiu o reino da Babilônia, mas também a Lídia (parte ocidental da Turquia), o Egito, o Afeganistão, uma grande parte da Ásia Central e da pátria Medo-Persa (atual Irã e leste da Turquia). Além disso, o Império Aquemênida (539-330) durou mais do que o dobro do Império Neobabilônico (626-539), 209 anos contra 87 anos. Portanto, o Império Medo-Persa não foi menor ou menos poderoso do que o império Neobabilônico, contudo, diante da opulência de Nabucodonosor, o império Medo-Persa foi inferior.

Prata - Como a prata é inferior ao ouro, o Império Medo-Persa foi inferior ao Babilônico. Ao contrastar os dois reinos, notamos apesar de o segundo ter durado mais tempo, certamente foi inferior em luxo e magnificência. Os conquistadores medos e persas adotaram a cultura da civilização babilônica, porque ela estava muito mais desenvolvida do que a sua.

O Terceiro Reino.

Ventre e Coxas de Bronze – “... e um terceiro reino, de bronze, que dominará sobre toda a terra”. (Daniel 2: 39 b).

O sucessor do Império Medo-Persa foi o Império de Alexandre, o Grande, e seus sucessores. A Grécia estava dividida em pequenas cidades-estados que tinham um idioma comum, mas pouca ação unificada. Ao pensar na Grécia antiga, pensamos principalmente na idade de ouro da civilização grega sob a liderança de Atenas, no século V a.C. Este florescimento da cultura grega seguiu ao período de maior esforço unido das cidades-estados autônomas, a exitosa defesa de Grécia contra Pérsia, ao redor do tempo da rainha Ester. A "Grécia" do Livro de Daniel (cap. 8: 21), não diz respeito às Cidades-Estados autônomas do período da Grécia clássica, mas ao posterior Reino Macedônico que venceu a Pérsia.

A Macedônia, uma nação consanguínea grega situada ao norte de Grécia propriamente dita, conquistou as cidades gregas e as incorporou pela primeira vez a um Estado forte e unificado. Alexandre, depois de ter herdado de seu pai o recém engrandecido Reino Greco-Macedônico, se pôs em marcha para estender a dominação macedônica e a cultura grega para o oriente e venceu ao Império Aquemênida. A profecia apresenta o reino da Grécia como um reino que viria depois da Pérsia, porque Grécia nunca se uniu para formar um reino até a formação do Império Macedônico, o qual substituiu a Pérsia como principal poder do mundo desse tempo.
O último rei do Império Aquemênida foi Dario III, que foi derrotado por Alexandre nas batalhas de Grânico (334 a.C.), Batalha de Isso (333 a.C.), e Batalha de Gaugamela (331 a.C.).

Ventre e Coxas de Bronze - No Império de Alexandre Magno os soldados gregos se distinguiam por sua armadura de bronze. Seus capacetes, escudos e machados eram de bronze. Heródoto nos diz que Psamético I do Egito viu nos piratas gregos que invadiam suas costas o cumprimento de um oráculo que predizia: "homens de bronze que saem do mar".

"Terá domínio sobre toda a terra" – A história registra que o domínio de Alexandre se estendeu sobre Macedônia, Grécia e o Império Aquemênida. Ele incluiu o Egito e se expandiu pelo oriente até a Índia. Foi o império mais extenso do mundo antigo até esse tempo. Seu domínio foi "sobre toda a terra" no sentido de que nenhum poder da terra era igual a ele, e não porque cobrisse todo mundo, nem ainda toda a terra conhecida nesse tempo. Um "poder mundial" pode definir-se como aquele que está acima de todos os demais, um poder invencível, e não necessariamente porque governa todo mundo. As afirmações superlativas eram comumente usadas pelos reis da Antiguidade. Ciro se denominava como: "rei do mundo… e dos quatro bordes (regiões da terra)"...

O Quarto Reino.

Pernas de Ferro – “O quarto reino será forte como o ferro, pois, como o ferro esmiúça e despedaça tudo, como o ferro quebra todas as coisas, ele esmiuçará e quebrará”. (Daniel 2: 40).

Esta não é a etapa posterior quando se dividiu o império de Alexandre, mas do império que conquistou o mundo macedônico. Muito antes da tradicional data de 753 a.C., Roma tinha sido estabelecida por tribos latinas que tinham vindo à Itália em ondas sucessivas ao redor do tempo em que outras tribos indo-europeias se tinham estabelecido na Grécia. Desde aproximadamente o século VIII a.C. até o V a.C. a cidade-estado latina foi governada por reis etruscos vizinhos. A civilização romana foi muito influída pelos etruscos, que vieram à Itália no século X a.C. e especialmente pelos gregos que chegaram dois séculos mais tarde. Pelo ano 500 a.C. o Estado romano se converteu em república, e seguiu sendo-o por quase 500 anos. Em 265 a.C. toda Itália estava sob o domino romano.

Em 200 a.C. Roma saiu vitoriosa da luta mortal que tinha sustentado com sua poderosa rival do norte de África, Cartago (originalmente uma colônia fenícia); desde então se fez dona do Mediterrâneo Ocidental e era mais poderosa do que qualquer dos estados do oriente.
Roma primeiro dominou e depois absorveu, um a um, os três reinos que sobraram dos sucessores de Alexandre, e assim chegou a ser o seguinte grande poder mundial depois dele. Este quarto império foi o que mais durou e o mais extenso dos quatro, pois no século II estendia-se desde Inglaterra até o Eufrates.

"Como o Ferro" - Edward Gibbon chamou muito adequadamente Roma de “a monarquia de ferro”, ainda que não fosse monarquia no tempo em que chegou a ser o principal poder do mundo.

"Quebra e Despedaça Tudo" - Tudo o que se pôde reconstruir da história romana confirma esta descrição. Roma ganhou seu território pela força ou pelo temor que infundia seu poderio armado. Ao princípio interveio em conflitos internacionais numa luta pela sobrevivência contra Cartago, sua rival, e depois se viu envolvida numa guerra após outra; esmiuçando seus adversários um a um, tornou-se finalmente na agressiva e irresistível conquistadora do mundo mediterrâneo e da Europa Ocidental. No princípio da era cristã, e um pouco mais tarde, o poder de ferro das legiões romanas respaldava à Pax Romana (a paz de Roma). Roma era o império maior e mais forte do que o mundo tinha conhecido até então.

O Quinto Reino.

Dedos de Ferro e Barro – “Quanto o que viste dos pés e dos dedos em parte de barro de oleiro e em parte de ferro, isso será um reino dividido; contudo haverá nele alguma coisa da firmeza do ferro; pois, como que viste o ferro misturado com barro de oleiro”. (Daniel 2: 41).
Ainda que mencione os dedos, Daniel não chama especificamente atenção a seu número. Declara que o reino seria dividido. Isso significa que esse Reino representa a forma atual de governo em que se encontra a sociedade humana; dividida, mas com alguns reinos fortes como o ferro e outros frágeis como o barro.

Barro e Ferro, Fraco e Forte – Ao longo dos séculos, Roma foi perdendo sua tenacidade férrea através de sucessores débeis, isto significa que Roma permaneceria até os dias de hoje, porém como uma mistura do ferro (Império Romano) com o barro (nações, povos e línguas). Atualmente o que sobrou do Império Romano foram o papado (Igreja Católica) e a cultura de Roma herdada pelo ocidente, contudo, segundo a interpretação de Daniel, ainda haveria uma parte forte. Os reinos bárbaros que foram cristianizados diferiam grandemente em valor militar, como o diz Gibbon ao referir-se às poderosas monarquias dos francos e os visigodos, e dos reinos subordinados dos suevos e burgúndios.

"Não Ficarão Unidos" - Os versos 42 e 43 de Daniel capítulo 2 dizem: "Como os artelhos (dedos) dos pés eram, em parte de ferro e em parte de barro, assim, por uma parte o reino será forte e, por outra, será frágil. Quando ao que viste do ferro misturado com barro de lodo, misturar-se-ão (com semente humana) pelo casamento, mas não se ligarão um ao outro, assim como o ferro não se mistura com o barro".

A profecia do Livro de Daniel suportou a prova do tempo. Algumas potências mundiais da era Cristã foram débeis e outras fortes, porém o “nacionalismo romano” continuou vigoroso; mas as tentativas de converter num império único e grande as diversas nações que surgiram terminaram em fracasso. Certas nações se uniram transitoriamente, mas a união delas não resultou nem pacífica nem permanente.

Já houve muitas alianças políticas entre as nações, mas todas as tentativas de unificação se frustraram. A profecia não declara especificamente que não poderá haver uma união transitória de vários elementos por meio da força das armas ou de uma dominação política, no entanto, ela afirma que essa união não funcionará organicamente, pois seus integrantes continuarão com receios mútuos e hostis. Uma federação formada sobre tal fundamento será um reino divido e estará condenada à ruína. O sucesso passageiro de algum ditador ou de algum povo não deve assinalar-se como o fracasso da interpretação de Daniel.

O Último Reino.

Poder-se-ia dizer que os dez dedos (artelhos) dos pés são dez reinos que segundo Apocalipse 17: 12 são os dez chifres da Besta que receberão autoridade por “uma hora” juntamente com ela, e nesta oportunidade cairá a “Pedra do Céu” e exterminará a civilização contemporânea, dando lugar a um “Novo Reino”, o Milênio de Paz. Só depois deste milênio, o sétimo, o sábado da Terra, ela se restaurará. O Milênio de Paz será uma preparação para o surgimento do “Novo Céu” e a “Nova Terra”. Deve-se considerar que dedos são “articulações” e chifres não são, portanto, Daniel 2:41-43 e Apocalipse 17:12  estão indicando que, como dedos, “reinos” (ideologias, religiões, culturas ou tradições) se “dobrarão” e se “conformarão” uns aos outros para terem o domínio sobre a Terra, porém contra a sua natureza, pois não é natural que chifres se “dobrem” ou se “amoldem”.

"A Pedra cortada sem o auxílio de mãos" – O verso 44 diz: No tempo desses reis, o Deus do céu fará aparecer um reino que nunca será destruído, nem será conquistado por outro reino. Pelo contrário, esse reino acabará com todos os outros e durará para sempre. É isso o que quer dizer a pedra que o rei viu soltar-se da montanha, sem auxílio de mãos, e que despedaçou a estátua feita de ferro, bronze, prata, barro e ouro. O Grande Deus está revelando o que vai acontecer no futuro. Foi este o sonho e esta é a sua fiel interpretação.

"Fará Aparecer um Reino" – Este detalhe é uma predição da primeira vinda de Cristo e da Sua posterior conquista do mundo pelo Seu Evangelho, mas este novo "Reino" não poderá coexistir com nenhum daqueles quatro reinos (“Respondeu Jesus: O meu Reino não é deste mundo”... João 18: 36) porque ele sucederá aos pés de ferro e barro misturados. Portanto, o Reino de Deus de fato ainda está por vir como Jesus afirmou a seus discípulos em Lucas 21: 25-28, porque ainda não vemos todas as coisas sujeitas aos Seus pés, o que experimentamos agora é um nuance espiritual do Reino do Céu (Hebreus 2:8-11). Porém, este último Reino será estabelecido na Terra quando Cristo voltar para resgatar aqueles que O aceitaram como Salvador, primeiro como um reinado de mil anos sob o domínio de Jesus Cristo e Sua Igreja na cidade de Jerusalém, posteriormente, como o Reino eterno de um Novo Céu e uma Nova Terra na Jerusalém Celestial. Confira 2 Timóteo 4: 1 e Mateus 25: 31-34.

Curiosidades: Pedra - Em Aramaico “ében”, é uma palavra idêntica a palavra “eben” do Hebraico. Sua tradução é "pedra" e é usada para se referir a lousas, pedras para atirar com funda, pedras talhadas, vasilhas de pedra, pedras preciosas. A palavra “rocha” é usada frequentemente na Bíblia como uma referência a Deus (Deut. 32:4, 18; 1 Sam. 2:2; etc.). Esta palavra “rocha” vem da palavra hebraica “tsur”. A palavra usada no original por Daniel foi “tsur” (Rocha) e não “ében”. Daniel é claro em sua interpretação para o rei Nabucodonosor, pois apresenta e descreve precisamente todos os símbolos usados no sonho profético.

"Cortada do monte sem auxílio de mãos" – este é um indicador de que este último reino tem origem sobre-humana. O último Reino não será erigido pelas hábeis mãos dos homens (as civilizações antigas “talhavam” pedras para com elas construírem suas cidades), mas pela poderosa mão de Deus. Assim como todo reino do mundo foi e ainda é estabelecido por Deus, este novo reino também será, contudo, “sem o auxílio de mãos” humanas.

BÍBLIA, A PALAVRA VIVA DE DEUS.

L. M. S.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

CEMITÉRIO, O DORMITÓRIO DOS CRENTES EM JESUS.

Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais como os demais que não têm esperança. Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que dormem em Jesus, Deus os tornará a trazer com Ele. (1 Tessalonicenses 4:13,14).

Cemitério vem do Latim "coemeterium", palavra que vem do Grego "koimeterion", que tem o significado de local de repouso, dormitório.

A palavra "cemitério" (do latim tardio coemeterium, derivado do grego κοιμητήριον [kimitírion], a partir do verbo κοιμάω [kimáo] "pôr a jazer" ou "fazer deitar") foi dada pelos primeiros cristãos aos terrenos destinados à sepultura de seus entes queridos. Portanto ela vem dos cristãos primitivos. Porque os romanos chamavam de "necropolis" (cidade dos mortos) onde eles enterravam seus mortos, mas os cristãos por crerem na ressurreição decidiram dar um nome diferente ao local onde sepultariam os seus mortos, e assim chamaram-no de "cemitério", palavra que vem do termo grego kimitírion (koimeterion), significando "dormitório".

Por que os cristãos primitivos deram o nome de "dormitório" para o lugar dos mortos, ao invés de manterem o de "necropolis"? Porque, diferentemente dos romanos pagãos, os cristãos criam na imortalidade da alma e acreditavam que os mortos estavam realmente "dormindo" até a volta de Jesus e a consequente ressurreição para a vida, pois segundo as Escrituras, os que morrem no Senhor na verdade não morrem, mas dormem no Senhor.

E ouvi uma voz do céu, que me dizia: Escreve: Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, e as suas obras os seguem. (Apocalipse 14:13).

L. M. S.